sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Cada Dia Basta o Seu Próprio Mal




Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu; não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, e contudo, o vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais do que elas? Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida? Quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como qualquer deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: que comeremos? Que beberemos? Ou: com que nos vestiremos? Pois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.
Mateus 6:25-34
O ano está acabando e este será o último post de 2014 por aqui. No ano que vem, não sei o que será deste blog, nem dos caminhos que minha vida seguirá, pois por enquanto 2015 é uma completa incerteza. 

Isso me faz lembrar de como negligenciamos conceitos importantes, tornando-os apenas chavões que nada significam. Providência, cuidado, proteção e outras palavras tão caras ao vocabulário dos santos perdem seu real sentido, pois estamos tão cheios de nossa gordura, tão autossuficientes e seguros em nossas próprias forças que vivemos o  nosso caminho como uma trilha de "certezas indiscutíveis". 

Mas, será que a vida cristã é realmente isso? Acredito que não. As dúvidas são parte do nosso caminho e uma parte bastante importante, quando chegam e elas sempre chegam, acabam por destruir os impérios de areia de nossas vaidades. Elas demonstram o quanto são perecíveis nossos tesouros mais caros. Por isso, a incerteza deve nos acompanhar sempre, pois ela é o caminho seguro da dependência, entretanto, um caminho bastante tênue, pois também pode nos levar a ansiedade.

Ciente disso, o próprio Cristo nos adverte que a vida é feita por mais do que bebida, vestes ou comida e que é o próprio Pai que nos veste e nos alimenta. Não existe motivos para o desespero ou para a vaidade, pois sobre a vida e a morte não temos nenhum poder, não há força nas mãos humanas capaz de voltar ou avançar o tempo, ampliar ou encurtar a existência. 

Jesus em suas palavras e ao trazer o exemplo da natureza como sinal do cuidado e zelo do seu Pai, afirma para todos os homens sua verdadeira e única necessidade: a contínua dependência de Deus. O bem-estar, o vestir, o comer, o beber, os tesouros não deve ocupar a vida dos que dizem amar ao Senhor. O nosso autocuidado não é a prioridade, ele é vaidade e gera omissão, antes, a prioridade é o Reino de Deus e sua Justiça e é por isso que oramos: " venha a nós o teu reino, seja feita sua vontade, assim na terra, como no céu". 

Quando o amanhã e todas as suas coisas tomam toda nossa mente, perdemos o horizonte escatológico do Reino de Deus. O amanhã para o cristão já está dado, escrito, confirmado e certo, pois somos filhos do Deus altíssimo e ele mesmo proverá de sua parte nossas necessidades, o pão nosso de cada dia, nos dá hoje e sempre o nosso Senhor. 

É bem verdade que existem dias bons e dias maus e que estes últimos pesam no coração e nos fazem esmorecer, mas o fato é que sempre é mais escuro antes do amanhecer e mesmo assim isso não impede que o sol venha a nascer por fim. Sabendo disso, exortemo-nos uns aos outros: o cuidado de Deus e sua providência não se manifestam naquilo que já nos é visível, mas está justamente no momento em que nada nos é revelado. Enquanto dormirmos o cuidado do Senhor é presente sobre nossas vidas, quando não há horizonte a vista e fechamos os olhos, enxergamos que nunca houve melhor caminho do que não ter um caminho próprio.

Neste tempo de incertezas, nesta virada de página, prefiro seguir o conselho de Cristo, prefiro olhar para a natureza e saber que mesmo diante de coisas terríveis, ela permanece sob o controle poético de Deus. Deste modo, como homem de pequena fé que sou, sigo e descanso no meu Senhor e mesmo apreensivo em relação ao futuro, fecho os olhos e mergulho, pois tudo coopera para o bem dos que amam a Deus e sendo assim afirmo: a cada dia basta o seu próprio mal. 

Que a esperança do futuro, nos alcance no presente! Vem sobre nós Senhor Jesus!
Próspero 2015, senhoras e senhores.