sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Mergulhado na Tristeza

Essa semana eu experimentei um intenso sentimento de tristeza, desânimo e melancolia. Como diz o salmo 31 em seu verso 10 a tristeza acabou com minhas forças. Respirar, fazer as coisas mais banais se mostraram um desafio enorme. Em dias como esses, a vida parece perder todo e qualquer sentido e de fato as lágrimas, mesmo que elas sejam apenas mentais, fazem com que a existência se encurte nos mais diversos sentidos.



Infelizmente, a primeira coisa que muita gente procura quando se sente assim é um médico ou um medicamento, após se consultar no Google. Não que eu desacredite que os sofrimentos psíquicos existam e que devem ser tratados, todavia, é salutar saber que há tristezas e tristezas e que nem sempre isso significa um sintoma de depressão, muito menos que depressão se trata em todos os casos e unicamente de forma medicamentosa.

No que toca aos sofrimentos da mente, a lógica biomédica não é a detentora de todas as verdades, existem outros caminhos quando falamos sobre a emoção e seus conflitos. Por vezes, se faz preciso um olhar mais sensível que afaste a tristeza da doença, reconheça pessoa e sofrimento e una efeito (sofrimento) com a causa (motivo pelo qual se sofre). Em suma, a terapêutica é maior do que a droga.

O fato é que é possível entender também o mergulho na tristeza como um momento importante na trajetória da vida. O sofrimento por si só pode ser o que precisamos, tanto para amadurecermos em um processo de autoconhecimento, quanto em um processo de conhecimento de Deus, se o encararmos em uma perspectiva religiosa. Tenho aprendido que há lugares que só a estrada da tristeza pode nos levar, mas também constato que na atualidade essa é uma estrada que todos querem evitar. Como disse em um certo vídeo, uma certa psicanalista, precisamos sofrer mais porque o sofrimento alarga a alma!

Sentir tristeza, ter dificuldade de encontrar um sentido naquilo que estamos fazendo pode significar a chance de confirmarmos se estamos seguindo a direção certa ou não. Pode ser uma oportunidade de chegarmos no colo de Deus e nos confortarmos em seu amor. Pensando dessa maneira, vale a pergunta: será que não estamos jogando fora a oportunidade de sermos mais felizes quando escolhemos medicalizar o sofrimento, apagando a dor?

Enquanto escrevo isso, ainda estou sentindo a melancolia bater no coração. Porém, na manhã do dia em que este texto foi redigido, fiz um devocional e mais uma vez entreguei meu coração para Deus e isso foi bom, porque eu percebi que não há mergulho na tristeza que seja tão profundo quanto a esperança do amor de Deus. E bem...eu sei que essa minha experiência só faz sentido em um discurso que é alimentado pela minha fé, mas não constata a MPB que a fé não costuma falhar? Então porque não ir andando com fé?

Se você está triste, mergulhado na tristeza de maneira profunda ou mesmo sofrendo com algum transtorno mental, tal como a depressão, respire fundo, olhe ao seu redor e se lembre que apesar da dor, da dificuldade e de todas as mazelas que acompanham a tristeza esse é apenas mais um dia, um dia depois do outro pode mudar tudo que estamos vivendo, afinal, nunca saberemos o que virá, mesmo que nossa ansiedade às vezes ache que sim.


Na dúvida e no desespero, deixo aqui uma receita que nunca me falhou, ela está escrita no verso 5 do Salmo 31 Nas tuas mãos entrego minha vida. Tu me salvarás, ó Senhor, porque tu és Deus fiel. Confie e o Espírito de Deus pairará sobre suas águas, dando forma a sua terra. Certamente, Deus não falhará.