terça-feira, 19 de maio de 2015

O Fantástico Espetáculo do Entretenimento Religioso: A idiotização da vida cristã



Como nosso título bem fala, dentro das nossas igrejas vivemos um espetáculo de entretenimento religioso, uma espécie de programa de auditório, recheado de músicas antropocêntricas, "manifestações mágicas" e momentos de apelação emocional. Há lágrimas, gritos, palavras de adoração, mas devoção sincera é rara nestes aspectos. 

Infelizmente, o entretenimento religioso tem uma consequência séria: a idiotização da vida cristã. Isso mesmo, aos poucos, envoltos na parafernália anti-litúrgica, que também é liturgia, nos tornamos cada vez mais idiotas, alienados das verdades religiosas e sem perceber mais próximos da conduta mundana com o acréscimo da hipocrisia, que nos recheia de proibições e regulações as quais definem uma linha sólida entre o profano e o sagrado, contudo operando a profanação do sacro de uma maneira blasfema. 

O culto pós-moderno na verdade é um anti-culto ao Deus verdadeiro e um ato profanador dos espaços de adoração. Todo o momento estamos sendo envolvidos por experiências não reflexivas que destinam nossa vontade a escravidão e aos vínculos inconscientemente ou conscientemente embasados em lógicas de mercado, assim, sorrateiramente, dentro da comunidade de fé se começa a valer pelo que tem, pela posição que ocupa dentro do show business cristão, além disso e ainda mais grave o evangelho não mais se insere no tripé da dádiva ( dar, receber, retribuir) mas na concepção mercadológica de troca, onde o doar segue necessariamente um receber equivalente. 




A vida cristã embasada neste culto pós-moderno cria raízes eletistas baseadas na força econômica e no status social de seus membros, direta ou indiretamente o sucesso nestes aspectos se torna sinal de comunhão com Deus e assim os valores mundanos pseudo-condenados transformam-se em valores do reino e por fim a profanação dos espaços de adoração se completa, tornando aquele que deveria ser parte de uma comunidade, um indivíduo sem vínculos, um cliente da própria religião na qual busca um meio de sanar suas angústias, verdadeiramente um  paradoxal cristão anticristão.

A única maneira de se fujir deste novo arquétipo e do paradigma que o compõe é olhar para a teologia bíblica do culto, percebendo alguns elementos importantes para o resgate do verdadeiro culto, oposto aquele que chamamos de entretenimento religioso.

Primeiro, o culto deve ser racional, um sacrifício do nosso eu, para a experiência da renovação da mente e comprovação da boa, perfeita e agradável vontade de Deus, que nos leva aos padrões do Reino e não do mundo .Devemos lembrar que somos um corpo e como corpo cada um tem uma função e todos juntos adoramos ao nosso Redentor e Criador. A união fraterna dos crentes em Cristo é mais do que uma multidão congregada, é uma articulação em prol do serviço e das boas obras desde a eternidade predestinadas para os que responderiam com fé. 

Segundo, o culto deve ser centrado em Deus, não vamos para igreja receber, mas doar e nesta doação recebemos não o que desejamos ou precisamos, mas aquilo que precisamos retribuir, pois o que nos foi dado de graça assim também devemos dar. O culto centra-se em Deus mas estende-se na sacralização de todos os espaços da vida, na construção de pontes entre indivíduos que revelem  a grandiosidade da justiça e do amor de Deus, o testemunho do culto se revela na práxis da pura religião, o amor em ação, aos desesperados e vulneráveis tanto em quesitos materiais quanto espirituais, a verdadeira santidade, o envolvimento remidor.

Por fim, o verdadeiro culto é dinâmico, constante e pedagógico, ele ensina o conhecimento de Deus para que o povo santo não se perca e o destina para sua missão como sacerdócio santo, ao contrário do entretenimento religioso que coloca seu ouvinte em posição confortável, o verdadeiro culto angustia aquele que dele participa e o impele a rogar ao Senhor "faça-me teu trabalhador", dessa maneira, o verdadeiro culto não se constitui como aquele onde nos é apresentado uma rotina cristã estática, mas como aquele que nos apresenta uma ordem: vai, prega, faz discípulos, batiza e transforma o mundo!