sexta-feira, 28 de março de 2014

A Alemanha, o Nazismo e a Igreja Evangélica

simbolo do nazismo cristão


As ocorrências no mínimo moralmente discutíveis da igreja na história são inúmeras, da perseguição inquisitória ao costume de exploração de pessoas humildes por um teologia capitalista, a igreja, como instituição, se desfez dos verdadeiros caminhos muitas vezes. 

Um destes momentos foi o período entre guerras, na realidade contextual da Alemanha. Lá, muitos evangélicos apoiaram o golpe autoritário do nazismo e abraçaram de olhos fechados a ideologia de raça e povo superior, bem como, a violência e  a idolatria pelo estado, expurgando assim dos mais diversos grupos, os direitos e o prazer de viver uma vida humana. A igreja alemã cedeu as seduções do demônio e virou as costas ao Espírito Santo.

Desta involução teo-política, surgiu o Movimento Cristão Alemão e a Igreja do Heich, que sintetizou em suas fileiras as teses do nacional-socialismo e cristianismo positivo, flertando com posições neopagãs e materializando práticas avessas ao cristianismo evangélico, como a queima e impedimento de difusão de bíblias. 

Contudo, a fé evangélica alemã não se desfigurou por completo, entre aqueles que combateram o nazismo e sua ideologia, existiam não só intelectuais de esquerda e comunistas, mas também cristãos leigos, pastores e teólogos, dentre os quais  Karl Barth e Martin Niemöller.

Destes cristãos contrários ao terrível arcabouço ideológico e prático do nazismo, expressos nas mais diversas esferas, surgiu o que ficou conhecido como o movimento da igreja confessante. Nela, cristãos protestantes de diferentes confissões, reafirmaram, apesar de suas diferenças teológicas, seus compromissos com os princípios evangélicos de uma fé coerente.

Perseguida pelos nazistas, a igreja confessante não abriu mão de suas posições, mas no desenrolar da sua história acabou sofrendo grande retaliações do sistema político autoritário. Houve prisões e bens confiscados, dentre os presos e mortos estava Martin Niemöller. 

Contudo, a igreja confessante não teve seu legado destruído ou sequer diminuído. Ficou-se como grande ensino que a igreja do Senhor não deve se dobrar diante de nenhuma conjuntura política ou social. A vida cristã não é governada pelos desejos dos homens, mas pelo decreto do próprio Deus. Para concluir, deixo uma citação da Declaração Teológica de Barmen, documento sintetizador dos paradigmas deste movimento cristão:

 A Igreja cristã é a comunhão dos irmãos, na qual Jesus Cristo, em Palavra e sacramentos, através do Espírito Santo, age de uma maneira presente como Senhor. Na condição de Igreja de pecadores agraciados, ela tem a tarefa de testemunhar em meio a um mundo pecador, tanto com sua  como com sua obediência, tanto com sua mensagem como com sua ordem, que ela é somente propriedade do Senhor, que vive e pretende viver somente de seu conforto e a partir de sua orientação na expectativa de sua volta. 

Bibliografia

OLIVEIRA, Edson Douglas de. A TEOLOGIA DO SÉCULO XX: KARL BARTH. In: Comunidade Cristã Wesleyana. Disponível em: http://comunidadewesleyana.blogspot.com.br/2008/11/karl-barth.html


Igreja Nacional do Heich in: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_do_Reich

Igreja Confessante in: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Confessante

Declaração Teológica de Barmen in: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Teol%C3%B3gica_de_Barmen

SCHLEGEL, Doug. CHRISTIANS TAKE STAND AGAINST 'MESSIANIC STATE in: WND FAITH, 01/2013. Disponível em: http://www.wnd.com/2013/08/christians-take-stand-against-messianic-state/

Movimento Cristão Alemão in: Wikipédia. Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Crist%C3%A3o_Alem%C3%A3