terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Igreja do Nazareno: história, atualidade e desafios futuros




A Igreja do Nazareno tem sua história de origem marcada por um momento bastante importante para o evangelicalismo, o surgimento de uma onda de congregações compromissadas com a santidade. Como uma dessas comunidades de fé, a Igreja do Nazareno se estabeleceu como uma igreja simples, do povo para o povo, voltada a promoção dos valores do reino e para a pregação salvífica. Uma igreja de base soteriológica armínio-wesleyana, fundamentada na tradição apostólica, firmada no compromisso da pregação, ensino e prática do perfeito amor ou inteira santificação.

Nascida desta conjuntura histórica especial, seu desenvolvimento se deu rápido muito graças a uniões de várias igrejas, que vieram a encorpar a denominação e apesar de alguns problemas enfrentados, a construção de uma identidade e o firmamento do compromisso para com aquilo que era essencial, ou seja, a Palavra de Deus, a salvação e santidade foram estabelecidos. Ainda neste processo de desenvolvimento, Igreja do Nazareno demonstrou-se como comunidade missionária e se estabeleceu como uma denominação para além da fronteiras de seu país de origem, o Estados Unidos.

O sucesso da obra nazarena se deu ao compromisso com um relacionamento sincero e contínuo com Deus, assim como também sua promoção através da educação e da diaconia. Este fato foi fundamental para evitar que os excessos da religiosidade pentecostal e também da fundamentalista desconstruísse o legado wesleyano preservado pela Igreja do Nazareno, bem como as novas tendências teológicas trazidas pela reflexão liberal desmontassem o compromisso nazareno com os postulados ortodoxos presentes no artigo de fé.

Ao evitar os excessos liberais, fundamentalista e pentecostais, a Igreja do Nazareno estabeleceu um legado pedagógico sólido que reverbera na atualidade principalmente no que consta ao Estados Unidos. Infelizmente, em algumas missões esta base pedagógica carece de maior solidez e eventuais problemas surgiram, bem como alguns entraves no crescimento em especial em algumas regiões da América Latina.

Na atualidade, a Igreja do Nazareno se mantém em crescimento não só na quantidade numérica da membresia, mas na sua qualidade. As iniciativas nazarenas são inúmeras e nas mais diversas áreas. No contexto brasileiro, a denominação tem avançado bastante no nordeste, o ensino de uma teologia verdadeira compromissada com a ética, a santidade e a salvação expressas no evangelho e que vai de encontro com as mentiras da teologia da prosperidade são um alívio para cristãos evangélicos cansados do midiatismo e da hipocrisia que ronda denominações inteiras.

Apesar disso, limitações bastante visíveis existem e são de urgente trato, ainda há grande carência de publicação de material que trate da perspectiva armínio-wesleyana em língua portuguesa especificamente, o que tem permitido uma fragilização na formação teológica de líderes e leigos, por vezes acarretando um abandono ou empobrecimento do nosso legado teológico. Entretanto, isso não é algo exclusivo da denominação, mas um problema que acomete de modo geral igrejas arminianas brasileiras. Problemas de cunho ortoprático também se demonstram: o individualismo, a falta do exercício diacônico e o egocentrismo evangélico são realidades que felizmente são combatidas pelo bom ensino da Palavra, algo que é prerrogativa fundamental da Igreja do Nazareno.

Como desafio para o futuro próximo ou distante em nível mundial que espera a Igreja do Nazareno está principalmente a realidade pós-cristã que constrói cada vez mais um ambiente hostil para os fundamentos cristãos, assim faz-se urgente que a igreja se firme como painel para a ética cristã através de uma santidade ativa no mundo que se manifeste tanto nos símbolos de fé, quanto na prática desta fé, passando pelo ensino correto da fé. Além disso, a Igreja do Nazareno deve se pôr na brecha dos mais vulneráveis e excluídos, atualmente pessoas em situação de diáspora, como peregrinos nesta terra é compromisso nosso ajudar peregrinos, imigrante, estrangeiros e refugiados.

Tendo por contexto a realidade latino-americana, se ressalta como desafios a implementação de uma educação ainda mais forte, uma busca pela capacitação ao evangelismo, uma integralização do evangelho com as culturas populares das comunidades latino-americana, em especial os povos não evangelizados, bem como uma maior sensibilidade para com as condições políticas, seja a pobreza, seja a destituição dos direitos de maneira geral.

No caso brasileiro, os desafios da Igreja do Nazareno como instituição giram em torno do estabelecimento de missões em lugares ainda não alcançados, em especial o sertão e o norte do país, regiões estatisticamente comprovadas como carentes da atuação evangelical, sempre levando em consideração o tripé relacional wesleyano: relação entre o ser humano e Deus, ser humano e natureza e por fim, ser humano e ser humano.


Como último ponto, a educação teológica e a publicação de materiais que construam e fortaleçam a identidade nazarena no país é uma prioridade urgente, através disso, a igreja brasileira aprenderá sua história, fincará suas raízes, será motivada a ter uma maior comunhão e por fim se estabelecerá como uma igreja militante, agente de Deus na história.

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