sexta-feira, 17 de abril de 2015

Existe uma Fronteira para a Graça de Deus?




"A Graça abunda em filmes, livros, romances e música contemporâneos. Se Deus não está no redemoinho, talvez esteja num filme de Woody Allen ou num show de Bruce Springsteen. A maior parte das pessoas compreende representações visuais e símbolos com mais facilidade do que a doutrina e o dogma."
(Brennan Manning, em O Evangelho Maltrapilho)


 O Evangelho Maltrapilho. Um livro que ainda não li, mas que já amo só pelo resultado da leitura em algumas pessoas próximas. Posso dizer sem medo de errar que ele é devastador e falo isso com ainda mais certeza depois de ler a citação acima, que por acaso apareceu hoje na minha linha do tempo do Facebook. 

O assunto do artigo não é o livro ou a citação, mas o tema que ela trata, o qual pode ser posto através da seguinte problemática: Existe fronteira para a graça de Deus? Na minha opinião sincera e humilde, não existe limites para ação de Deus, consequentemente não existe fronteiras para a graça de Deus, porque, ao meu ver, toda ação de Deus oferece ao homem um favor imerecido. 

Mas, se a graça não tem fronteiras, ela pode atuar em qualquer coisa? Exato. A iniciativa da graça é de Deus e ela se espalha prevenientemente no mundo da maneira que ele deseja convidando os pecadores para a santa comunhão e a obra de salvação. Nada pode escapar da ação do soberano amor de Deus e tudo pode servir de convite ao arrependimento, não importa o que isso seja. 

Talvez, você querido leitor se assuste com o que vai ler, mas o fato é que a embalagem de um cigarro, uma visita ao prostíbulo podem exercer sobre a alma pecadora um puxão na consciência, podendo levá-lo para longe do pecado. Isso é mérito do cigarro que ele comprou ou do prostíbulo que visitou? Não,  o mérito é unicamente da graça de Deus que alcança ainda nos dias de hoje os lugares mais baixos da terra e pode assim convencer um pecador que ali não é o seu lugar.

Todavia, não precisamos descer as condições mais baixas da terra, podemos seguir a recomendação de Manning e ater a visão para os filmes, as músicas, as artes plásticas, os poemas e os livros de literatura que nos cercam, concluindo a partir daí que  todos os artefatos culturais podem manifestar a graça de Deus, seja na representação de valores que remontem aos valores do Reino, como é o caso do Senhor dos Anéis, de Nárnia ou do filme A Espera de um Milagre, seja de maneira mais direta remontando ao sagrado de maneira artística como o caso das pinturas, estátuas e ícones da iconoclastia cristã. 

Há também a música e esta é especial. Por vezes, poemas cantados por  desconhecedores de Cristo acabam por manifestar uma presença maior do que a música cristã contemporânea, assustadoramente comprometida com o inverso daquilo que é o espírito cristão e composta por pessoas que se dizem cristãs. Um exemplo de música secular que mais parece feita por um autor cristão é a canção Lisbon do Angra, que diz: 

Senhor, ilumine meu caminho 
Preencha estas mãos descuidadas e sem vida... 
Oh, os céus estão caindo,
 Os céus estão caindo,
 Oh, os céus estão caindo, os céus estão caindo

A letra e a canção foram compostas por um ateu e contam a história de um personagem, mas o que me chama atenção é que toda vez que escuto essa música, vejo graça de Deus nela, essa nunca foi a intenção do autor original e talvez ele nem saiba que pessoas vejam Deus em sua música, no entanto, a graça de Deus abunda nela e fala a multidões sobre orações e misericórdia, a música se tornou um hino do heavy metal e acabou por tocar corações e despertar curiosidades sobre Deus em algumas pessoas que conheço. 

Isso talvez seja isolado, mas mesmo que assim seja, ainda vale a menção porque Deus olhou para meia dúzia de pessoas e manifestou graça em algo do cotidiano delas, se isso não é amor, não sei mais o que seria. Poderíamos escrever um livro sobre isso e quem sabe eu não escreva um dia, todavia, por agora ficamos com uma pequeno pensamento para refletir, se a graça de Deus não tem nenhuma fronteira e chama prevenientemente todos de diversas maneiras, porque insistimos em dizer que há limites para a ação divina?