terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Movimento de Convergência um Chamado para Todas as Igrejas



Igreja do Nazareno em Overland Park, Kansas


No decorrer da história cristã as divisões foram inevitáveis e com as divisões vieram o sectarismo, bem como a formação de identidades por vezes conflitantes dentro do seio da igreja que professamos, como cristãos, ser universal, una e santa.

Durante muito tempo, esta pluralidade que encontra seu apogeu na práxis do fenômeno do denominacionalismo trouxe bastante confusão e dúvidas para minha mente e várias vezes testemunhei pessoas colocarem em dúvida o cristianismo por causa das contradições sustentadas pelas igrejas dentro da Igreja. 

Foi então que o entendimento de Igreja Invisível e identidade espiritual sanaram parte das minhas inquietações, no entanto permaneceu dentro do meu coração a seguinte questão: como a Igreja ser reconhecida como Una diante daqueles que são leigos nos conceitos de Igreja Invisível e identidade espiritual? 

A Igreja do Nazareno, a qual hoje faço parte, foi o primeiro passo de Deus para me responder esta questão, pois seu entendimento sobre batismo ( o manual confirma como legítimos todas as formas de batismo e também o batismo infantil e adulto, bem como sua sacramentalidade) bem como seu entendimento da ceia ( o manual afirma a sua realidade  como sacramento e a abre para todos aqueles que professam fé em Cristo) e sua teologia equilibrada no que consta a obra do Espírito Santo me levaram a uma posição mais confortável no que consta a eclesiologia e legado histórico do cristianismo.

Mas, apesar disso, não foi o bastante. Foi no Movimento de Convergência que encontrei o que procurava. E fico ainda mais animado por saber que dentro deste movimento transdenominacional uma congregação nazarena milita. 



Igreja Luterana

O Movimento de Convergência é um movimento teológico recente que busca recuperar um ethos cristão unificador, a catolicidade ( no sentido de universalidade) da identidade cristã. O Movimento de Convergência surgiu a partir do desejo e do sentir comum de se ter uma plena experiência da espiritualidade cristã. Seu principal objetivo é trabalhar na convergência ou união dos elementos essenciais da fé, ordem e prática cristã associando as correntes: carismática/pentecostal; evangélica/reformada e litúrgica/sacramental. Um encontro entre velhos e novos tesouros que transcende os espaços denominacionais e apresenta uma profunda marca nos mais diversos grupos em busca de uma união na essência e exercício do amor naquilo que é divergente. 


Assim o Movimento de Convergência é uma busca pelo renascimento de uma espiritualidade integral na vida da Igreja; 

Por meio de uma vida sacramental, que se relaciona com um Deus presente e na história e que nos deixou elementos e ritos que são expressões visíveis de sua presença invisível.

De uma vida evangélica, que compreende a necessidade do homem converter-se a Deus, por meio de Cristo e viver uma vida de relação com Ele através de sua palavra escrita, as Sagradas Escrituras. 

De uma vida carismática, que se situa na compreensão de que a presença pessoal de Deus em nossas vidas, através do Espírito Santo, é real e quer nos mover a uma vida de intimidade com Pai, por meio do Filho. O Espírito não é uma fonte de poder, mas de relação. Ser carismático é relacionar-se com a Trindade pelo Espírito Santo, aquele que distribui os dons e carismas ao corpo de Cristo, sempre na busca de edificar o corpo.

Aqueles que abraçam o Movimento de Convergência se dividem geralmente em três tipos: As Igrejas integradas que têm mantido sua identidade original. A esta base, agregam em suas práticas de culto e ministério elementos das outras correntes que não possuem, como é o caso da Igreja do Nazareno em Overland Park, KansasAs Igrejas inclusivas são aquelas que sofreram uma metamorfose ao se tornaram parte do movimento de convergência. Principalmente, de fundo carismático e evangélico, estas igrejas se encontram em si mesmas identificadas tão de perto com outras correntes que chegam a modificar a si mesmas e muitas chegam a fazer parte das confissões litúrgicas/sacramentais e As Igrejas de rede, que são as mais independentes que têm feito parte do movimento, deixando suas associações anteriores, porém escolhendo permanecer independentes.

Patriarca da Comunhão Internacional das Igrejas Episcopais Carismáticas
Denominação Nascida do Movimento de Convergência


Apesar desta divisão, a identidade convergente pode ser facilmente identificada a partir de elementos comuns na práxis cristã dessas comunidades que dão o tom de todo o movimento. São eles: 

Um compromisso de restaurar os sacramentos, especialmente a Mesa do Senhor.

O entendimento do batismo e da ceia como símbolos com verdadeiro significado espiritual usados como um ponto de contato entre o homem e Deus.  No qual  a presença do Senhor e do seu poder se libera nestes atos. No caso da ceia, muitas comunidades oferecem-na semanalmente como parte essencial do culto. 

Um desejo maior de conhecer mais sobre a igreja primitiva

Uma busca pela identidade da igreja no decorrer da história tendo como claro objetivo de  explicar quem é, de onde veio ou por que existe e reencontrar suas raízes de tal forma a gerar uma conexão comum no contexto do Reino de Deus. Aprendendo como a Igreja primitiva entendia sua fé e suas práticas, como adorava e como liderava um movimento crescente. Assim, entendendo como a História do Corpo de Cristo pode ser descrita através das gerações posteriores, com seus êxitos e fracassos.

Amor e aceitação pela Igreja inteira e um desejo de ver a Igreja como uma.

As Igrejas de convergência olham para mais além dessas barreiras artificiais para alentar, apreciar e aprender mais acerca da singularidade que encontramos nas diferentes comunidades de fé. A oração de Jesus em João 17 é o chamado à Igreja para ser como um Corpo, não mediante a doutrinas ou dogmas, senão a estar embaixo da unidade da Pessoa de Jesus Cristo - há unidade em nossa diversidade. Este sentido de unidade não requer de nenhuma Igreja renegar sua expressão própria como Corpo de Cristo, mas ao mesmo tempo nos chama a apreciar e acolher a variedade e a beleza da Igreja mundial ao longo da história. As igrejas de convergência apreciam a chegada das várias correntes de outras Igrejas. A chamada das Igrejas do MC é: “ser uma, seguir adiante, juntas, para representar um povo unido em Cristo para alcançar um mundo ferido e doente”.

Igreja Protestante com Altar Decorado para a Data Litúrgica do Pentecostes



Um interesse de integrar estrutura com a espontaneidade no culto

A manutenção da espontaneidade carismática com a reintrodução das  liturgias  para trazer um equilíbrio necessário ao culto entre todos os elementos que as escrituras revelam como sendo necessários para adorar a Deus em Espírito e em verdade. Assim, ao mesmo tempo que se acha espaço para a ação espontânea do Espírito, se recupera os elementos litúrgicos e o culto  passa a ser o serviço do corpo na adoração, no arrependimento, no escutar das Escrituras e na celebração da morte e ressurreição de Cristo. Com isso, os credos históricos da Igreja – o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, etc., estão dando cada vez mais ao corpo de Cristo as raízes fundamentais da ortodoxia. Neste processo convergente, se pode ver O Livro de Oração Comum e outros recursos litúrgicos interagindo com o culto e a adoração espontânea nas Igrejas de convergência. A Mesa do Senhor se celebra com uma maior compreensão da santidade do acontecimento e as Igrejas seguem o ano cristão e o calendário eclesiástico mais consistentemente como um meio de levar o povo a uma viagem anual de fé. Todas essas expressões dão às comunidades locais uma conexão maior com a Igreja mundial e com a Igreja através da história.

Uma maior participação dos sinais e dos símbolos no culto através das cruzes, da arte cristã e das vestes clericais.

Neste movimento, o uso de sinais e símbolos serve como a representação maior da verdade. Desta forma, outros símbolos aparecem também como pontos de contato para unir duas realidades: o sinal e o símbolo exterior e a realidade interna e espiritual. As cruzes e as velas agora adornam procissões em algumas Igrejas e alguns pastores tornaram usuais as vestes clericais em vários serviços, cultos e celebrações da Igreja. Tudo isto serve como um sinal e enriquece a realidade espiritual de ser unido com Cristo, identificando as comunidades com a fala profética estendida a toda Igreja que diz: “Sejam um”.

Um compromisso contínuo até a salvação pessoal, o ensinamento bíblico e o trabalho e ministério do Espírito Santo.

o enriquecimento sacramental e litúrgico não são uma fuga do ensino bíblico, da ortodoxia bíblica ou do ministério dinâmico do Espírito Santo, muito menos estes últimos são irreconciliáveis com os primeirosA obra de Deus é inclusiva e não exclusiva, levando adiante cada elemento que foi identificado. Dessa forma, temas como evangelismo, missões e a obra do ministério pelo poder do Espírito, permanecem intactos nesse caminho. O poder de Deus continua a ser liberado de forma maravilhosa na vida das pessoas, produzindo a conversão, a santidade, a liberdade e a mudança de vida.A herança bíblica, rica e essencial, da Igreja no poder e na primazia da Palavra tem sido mais completamente desenvolvida quando as Igrejas dão mais tempo no culto à leitura em conjunto da Bíblia. Isto cumpre a admoestação de Paulo a Timóteo “dedique-se a ler as escrituras, a pregar e a ensinar”. Ironicamente, em um domingo, geralmente, se lêem mais as Escrituras geralmente em um serviço litúrgico tradicional do que nas reuniões evangélicas ou carismáticas