quarta-feira, 15 de abril de 2015

Entrevista com o Pastor: Rev. Ivo Pinheiro da Igreja do Nazareno





Olá, paz e graça! 

Hoje, estamos começando um novo quadro aqui no blog com o intuito de humanizar a figura do pastor. Iniciando essa série de artigos, resolvi entrevistar o meu pastor local, o Reverendo Ivo Pinheiro, responsável pela comunidade na qual congrego,a Igreja do Nazareno Central do Paulista. A conversa durou pouco mais do que uma hora e discutimos sobre tempo, desafios, pontos fortes e fragilidades do exercício do ministério, espero que gostem e que este ponta pé inicial possa  ajudar na compreensão tanto da figura do pastor como ofício eclesiológico como também na compreensão do homem que ocupa o cargo. Sem mais delongas, vamos a entrevista.

O que é ser um Pastor? 

Ser pastor é ser servo. Ter recebido um chamado, ter humildade, respeito, pois o ministério não é benefício, mas responsabilidade; é formar o caráter de Cristo, o que também é nossa maior tarefa, para isso, o pastor deve ser acessível, humilde e simples. O pastor deve ser exemplo, palavras instruem, mas a vida forma o caráter, dando o exemplo a gente forma o caráter de Cristo.

Como um Pastor lida com o Tempo?  

A igreja me dá liberdade para ter uma vivência plural, liberdade para servir e ter um tempo com a família. Administrar este tempo é uma das maiores dificuldades do pastor no geral, porque se isso não for bem feito, pode fazer a família, a saúde e o ministério serem prejudicados. A liberdade que a igreja me dá é uma conquista, fruto da entrega, do sacrifício pelo ministério, já doei quatro carros, lavo chão, banheiro... os irmãos me veem como amigo, como alguém que administra com amor. Minha relação com a igreja é uma relação de amizade. 

Qual é a maior fragilidade do exercício do pastoreado?

A autossuficiência, quando o caráter e as suas atitudes mudam. Eu acho que quando a gente conquista algo é Deus conquistando através de nós. Para não ceder, porque a linha é muito tênue, não devemos mudar, devemos lembrar quem éramos, que o que está acontecendo é fruto de Deus, ou seja, manter a humildade, o relacionamento e a amizade com Deus.

E o ponto forte do exercício do pastoreado e o que mais alegra em ser pastor?

Sinceridade é o ponto mais forte. As pessoas percebem isso, ovelha não se engana, pastor que acha isso se engana. A gente precisa ser verdadeiro. O que mais me alegra é a salvação, tive a oportunidade de batizar milhares de vidas nessa igreja, essa é a minha maior alegria; a segunda é ver o desenvolvimento das pessoas, elas se mantendo firmes na fé, casando, trabalhando. 

Qual seria seu conselho para quem ainda não tem experimentado essa alegria?

A primeira coisa é crer que Deus chamou, se tiver fé e dependência a certeza é a benção de Deus, porque alinha a vontade de Deus a sua vontade, posso dizer que, encontrar o ponto forte e a alegria só na experiência. 

Como evitar o conflito de papéis, como não ser pastor no lugar de pai ou pastor no lugar de marido?

Eu não consegui desmembrar isso no decorrer da minha vida muito bem. A gente acaba levando a igreja para dentro de casa, mas isso pode prejudicar a família, contudo, eu tento ser pai, esposo, sem ser pastor, mas é difícil quando todos estão envolvidos na igreja, pois às vezes a gente acaba comentando e debatendo sobre algum assunto. Aqui entra o papel da esposa, ela tem de ser sábia para não confrontar o seu marido, é o caso da minha esposa, que é minha ajudadora em coisas que eu não tenho entendimento como ela.

Sobre a autoridade pastoral em um mundo onde a religiosidade cristã está cada vez mais desacreditada, o que o senhor tem a dizer? 

Na minha experiência, há um grande ganho em pregar o genuíno evangelho. Eu tenho pregado isso e mesmo sem prega a teologia da prosperidade, as pessoas da nossa comunidade são prósperas, a prosperidade bíblica não é ter dinheiro, mas ser feliz, ter um lar abençoado, uma família estruturada, ter alegria, paz. Essa secularização que a igreja vive é culpa de certos líderes, a gente mesmo tem dificuldades com algumas instituições, como prisões e hospitais, muito por causa dos erros de alguns religiosos. Para tratar com o mundo, cada vez mais secularizado, a igreja precisa viabilizar maneiras da igreja se relacionar, não é trazer o mundo para a igreja, mas viabilizar o envolvimento e a comunhão.

Bem, chegamos ao fim, o Sr. poderia deixar um recado para os leitores? 

Aproveitando o contexto, o que eu posso deixar é que servir a Cristo ainda é o maior projeto de vida. Jesus é o mesmo. O maior prazer. Se sacrificar e ser humilde ainda vale a pena. Precisamos voltar ao cristianismo sincero, simples e que faça parte do céu, que cada leitor seja ajudado por Deus a entender o que o evangelho é o Reino de Deus em nosso coração. Deus nos dá paz, alegria e salvação. Deus é suficiente. O mundo não deve ditar o que é ser cristão, mas o evangelho deve demonstrar o que um cristão é