segunda-feira, 10 de março de 2014

Separados ou Separatistas?





No dia dia de um cristão o mundo está presente. Isso é um fato. Como ser humano, toda pessoa está inserida em um meio, imersa em um sistema cultural e de linguagem, participa de algum modo do sistema político-econômico do mundo e portanto está no mundo. É ator participante e ser cívico. 

Mas como podemos estar no mundo se somos separados dele? Deus não chamou o homem à santificação? Pois como diz Levítico 20: 26 Deus nos chamou para ser povo seu; a igreja, como assim foi com Israel, foi separada de outros povos para ser de Deus e isso nos tira do mundo. 

Será mesmo ? Por qual razão então Jesus em sua oração diria no verso 15 do Cap. 17 de João que o Pai não tirasse os seus do mundo, mas os livrasse do mal ? Existe então contradição na bíblia, haveria aqui uma afronta de Jesus? Não. A Bíblia é infalível e Jesus fala da mesma coisa que a passagem de Levítico; é nossa leitura que acaba por fazer com que entendamos o sentido de santidade - ou seja separação para Deus- como Separatismo.   

As duas  coisas são bem diferentes, o separatismo é expressividade requintada de um farisaísmo de terceira, o separatista conhece a lei de Deus; é consciente da graça, mas não entende os atributos da santidade de Deus, não conhece o amor e por isso não pode conhecer a Deus. O separatista é o viajante que vê a ponte para o paraíso, mas para no meio do caminho e impede que outros utilizem a mesma entrada que ele utilizou. Ele é pedra de tropeço e como pedra rola para baixo.

A pessoa separada por Deus vive o reino de Deus, que é paz, alegria e justiça (Romanos 14:17) e como vive o reino não precisa sair do mundo, pois Deus o livra do mal, assim não precisa ir apenas para passeios de crente, comprar apenas coisas de crente, deixar de apreciar arte, literatura porque não vem de alguém que é crente. Antes faz do que toca e do que vive, coisa de Cristo e consagrando à Ele toda a vida, converte cada ato em culto e assim é afastado do que o guiaria a perdição, glorificando a Deus e sendo por isso reflexo de sua imagem.

Dessa maneira, podemos dizer que  separação que Deus executa naquele que foi convencido por ele a segui-lo não é circunstancial, mas é uma prática constante exercida em toda e qualquer circunstância.

A santidade de Deus nos permite alargar horizontes, viver em paz, executar justiça - social, individual e psicológica- e ser justificado - na eternidade e em cada esfera da vida mortal.  A separação de Deus é um chamado para união de todo homem com ele; sendo assim é expressão de pureza, longanimidade , ciência e amor não fingido (2 coríntios 6:6). Ser um santo de Deus é estar atuante na mudança do mundo e na proclamação do evangelho do cordeiro. 

Comparar o chamado da vida santa ao separatismo manifesto no se ausentar do mundo é encarar a vida cristã como um talento que se esconde e o amor de Deus como um sentimento egoísta. Que todas as áreas da vida cívica sejam regadas com nossa santidade, através da tolerância, da compaixão, do abandono da violência e do preconceito; mas acima de tudo com a preservação da ortodoxia da fé e do convite ao chamado à nova vida. 

Que cada dia mais estejamos inseridos no mundo, mergulhados e atuantes no mundo e que neste mergulho Jesus esteja conosco, para que outros vendo-o em nós, o desejem e o desejando sejam salvos e livres do mesmo mal que um dia nos assolou.