quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Uma Opinião Franca sobre as Epístolas Joaninas


Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” 1 João 5. 10-12
Não se pode chegar a uma outra conclusão depois de ser ler as palavras de João em suas cartas, seu único propósito é demonstrar que, como essência divina, o amor se apresenta como substância integral do ser imutável de Deus, os gestos de Deus em sua relação ao homem são sempre em primeiro lugar gestos de amor, atos de vida, que estão constituídos na figura de seu Filho e na doação deste.
Movido por amor, Deus se dirige a humanidade e revela sua eternidade na simplicidade humana de Jesus, o verbo que é o Filho, ganha um nome, torna-se homem, constitui-se em carne, corpo e sangue e é a partir disso que o Pai distribui ao mundo o perdão dos pecados e a vida eterna. A humanidade está perdoada por um gesto de amor e aqueles que não menosprezam esse amor são transformados pela palavra e feitos filhos de Deus.
Nos versículos em destaque, João deixa claro que a manifestação material e salvífica do amor remidor, que é Jesus, é o meio pelo qual conhecemos ao Deus infinito e absurdo, aquele que antes era incognoscível, torna-se conhecido e agora compartilha conosco seus atributos em um relacionamento afetuoso e familiar.
As palavras finais dos versos destacados esclarecem o mistério falado pelo apóstolo, neles tomamos consciência que o amor é combustível para a vida, pois Deus é amor, Deus é salvação, Deus é Jesus, que também é homem e nos ensina empaticamente a irmos em direção do gesto do amor, ao pensar em amor, ao viver em amor. Nesta dança com Deus, nos afastamos da identidade do mundo e nos tornamos santos.
Enfim, compreendo que o apóstolo nos convida com a intimidade de quem foi chamado o apóstolo mais amado a sermos para outros o que Jesus Cristo foi para ele, um irmão amoroso, um homem compassivo. Seu chamado é para abandonarmos as aparências místicas e espiritualista, entendendo que é na carne que se mostra os frutos de Deus, de forma semelhante aquela que Deus fez ao se colocar como homem.

Vamos tornemo-nos meios visíveis da graça, no corpo, no arrependimento, que compreendamos que Deus transforma nossa substância e a converge impregnando-a do seu amor. 
Trecho extraído do livro Uma Teologia do Amor: Vida Santa Conforme as Epístolas Joaninas